Outro Par

(quando palavras são palavras - parte 2)

Era uma tarde como qualquer outra, de sol num belo final de semana. Ele já tinha feito o que tinha pra fazer, e nadeava um pouco só pra ver o tempo passar, coisa que há muito tempo ele não tinha tempo pra fazer. Ela não tinha feito nada, pois não conseguia. Só queria que o tempo passasse rápido, pra que ela finalmente soubesse “o que eu quero conversar com você, chaveirinho”. Dada a hora, eles em seus trajes de sempre, nunca tiveram nem precisaram de cerimônia para um encontro. Por do sol chegando. Friozinho bom de esquentar-se a dois. Fazia tempo que não se viam.

 - na hora, como sempre. [ela]

 - é, mania que não consigo perder... [ele aproxima-se. Ela avança pra beijar a boca, mas encontra a face, num leve desviar].

 - tudo bem?

 - certinho :).

 - tudo bem mesmo? Você queria conversar...

 - sim, tudo bem. Gostaria de falar sobre esse tempo em que somos nós. Não sem antes ouvir o que você pensa a respeito disso.

 - eu? Te amo. Mais do que suporia. Mas não mais do que eu queria... de um jeito surpreendente como só você consegue ser. Que nunca me fez achar nada, sempre me deu certezas. Com quem a palavra viver só tem sentido se emendar um “contigo”. Por quem...

 - [abre um tímido sorriso, e leva suavemente dois dedos à boca dela, dizendo com sua típica suavidez] Ok, entendi... ou melhor, quase entendi.

 - porque, baby?

 - porque nunca vi isso tudo. Já ouvi, muitas vezes. Já li, outras tantas. Mas nunca vi. E o que meus olhos presenciam, quase sempre, são atos e gestos que denotam diversas intenções, menos estas que você sugere – e só sugere - há algum tempo. De fato, parece que você gosta de mim. Mas nunca pude ver isso... você só me mostra outras coisas.

 - [a expressão muda, entristece um pouco mais] mas, mas... hummmm. Não sei o que te dizer, não sei mesmo [caem duas lagrimas].

 - talvez porque não precisasse dizer, se vc mostrasse, se você fizesse, se você demonstrasse...

 - eu não sei... não sei mesmo. Estou tentando...

 - mas eu sei. Que em momento algum não tive oura intenção a não ser desdobrar a expressão felicidade, com você. Nem posso afirmar que falo muito ou pouco, contudo, só falo do que sinto. E sei também que desde o dia em que nos conhecemos até hoje, eu procurei, vislumbrei, tentei criar, busquei motivos. Você só me deu escolhas...

- [sem segurar as lagrimas] e... qual é sua escolha?

 - [pequena pausa, olhos fixos nos olhos delas] Escolhi continuar sendo metade daquilo que pode dar certo. Errando com você, ganhei mais uma chance para acertar... com quem me merece.

 - é desse jeito que tem que acabar? Precisa ser um adeus assim? Porque, por que?

 - porque eu nunca espero nada, porem sei que a gente só recebe o que merece. Eu não mereço nada receber. Tenho recebido palavras, e palavras são apenas palavras... especialmente como as suas tem vindo, todo esse tempo, não dizem nada. São só um ensaio, várias suposições bonitas, tão somente amontoado. Quis poder jurar que elas fossem mais que isso, que o que a gente tentou estabelecer fosse mais que isso. Quis viver mais do que estar todo esse tempo ao seu lado. Quis que nossa história tivesse uma consistência maior. Quis ter muitos motivos para nunca pensar em fazer uma escolha. Mas, entre todas as escolhas que tenho aqui, decidi não mais viver daquilo que poderia ser e nunca foi. Mesmo quando vivi todo dia com você...



Foi dito por « tony » às 15:07
[ ]



 - [dá um abraço, e chorando em seu peito, diz com a voz abafada e soluçante]: baby, não baby... voce não tem noção do quanto eu te amo, não tem! Não consigo mais ficar sem voce... teus beijos, teu olhar, teus braços, tua atenção, seu sorriso, não posso ficar sem isso! Não tem sentido ficar sem voce... me diz no que posso consertar, o que posso mudar, o que posso fazer pra não te perder...

 - [solta um pouco o abraço, com as mãos vira o rosto dela para a mira dos seus olhos, abaixa as mãos para as mãos dela]. O que voce poderia ter feito, não fez. Sim, não fez...

 - me dá, não, NOS dê, um tempo, e mais uma chance!

 - não foi por falta de tempo. Me iludi... acreditei que fosse verdadeiro. Que uma hora viraria ação. Quando você agiu, muito era diferente. E quando não agiu, se omitiu. Praticamente mentiu... “isso tudo” nunca vai passar do que vc quase mostra... acabou, acabou.

 - não baby, NÃO! Não faz isso comigo, não faz isso com a gente... nem reticencias?

 - não termino minhas historias com reticências. É ponto. Ponto final. Como aqueles que fecham uma história. Como aqueles q nos permite virar uma pagina. Como aqueles que estão sempre ao lado de uma palavra. Mas que, neste caso, podem significar mais do que palavras...

 

Ele dá um beijo na testa dela. Ajeita sua blusa, que estava meio caída. Vira-se ao lado dela, ajeita o capuz da mesma. Olha outra vez em seus olhos, enxuga as lagrimas. E sem ensaiar lagrima alguma, apenas numa expressão fechada [que sempre carregou], abre um sorriso – talvez o mais sem graça da sua vida - e lhe dá um beijo na face. Ainda diz: “a gente se fala.” Respondido por um “[soluço] tá bom. [não se segura e chora]”.

Ele vai pro ponto de ônibus, tirando o celular do bolso e pensando seriamente em pegar o fone de ouvido do mesmo para escutar qualquer coisa. Mesmo que nele só tenha a trilha q eles foram compondo no relacionamento. Ela segue para o outro rumo, e assim como não conseguia dizer (e demonstrar) quanto e como gostava, não sabia dizer quanto e como aquilo doía. E chorava. Ele vai pra casa pensando que é preferível na chuva caminhar, que nesses dias tristes se esconder. E que era melhor reassumir um compromisso consigo do que deixar que acabassem com este por “qualquer coisa”. E daquele dia em diante, estava definitivamente difícil conquistá-lo. Ela começaria ali a se perguntar o que fez de errado, já tendo pra si a consciência de que seria uma resposta demorada para achar. E daquele dia em diante, estava mais fácil para qualquer um lhe dizer qualquer coisa, e lhe encantar, antes de lhe enganar. Ele ligou o rádio. Ela sentou perto de alguém q estava com rádio. O tempo virou, começou a chover. Ouviam a mesma emissora, que tocava o mesmo que muitos, assim como eles, dali tocariam sua vida, e estavam a ouvir:

“quero poder jurar que essa paixão jamais será / Palavras, apenas. Palavras, pequenas. Palavras.... Palavras, apenas. Palavras, pequenas. Palavras, ao vento... ando por ai querendo te encontrar...”

 

escreveu (  )

  ))) “palavras ao vento”, Cássia Eller.



Foi dito por « tony » às 15:07
[ ]



No universo ao meu redor

 

Pela primeira vez depois de algum tempo, pude parar [literalmente] para escrever um post. Então tão, vamos falar um pouco do que se passou, do que não passou, do que pode passar. Nas olimpíadas, temos investido no esporte, mas não temos prestado atenção em alguns detalhes: para os atletas sem deficiência, uma participação pífia ante os investimentos realizados nos últimos anos, fora a falta de preparo emocional, que nos tirou algumas medalhas “certas”; Aos atletas paraolímpicos, que de atletas nem podem ter muito, pois não conseguem apoio nem suporte para dedicar-se somente aos esportes quais praticam, mais que minha admiração: meu respeito. São um dos tantos retratos de um dos tantos “Brasil´s” [estranho plural, não? Sei q não é o correto, usarei este mesmo] que vivemos: do povo que batalha e vence, seja como for, contra quem for. Sim, os investimentos na área precisam ser ainda maiores, pois o esporte é um meio de socialização interessantíssimo, nos leva alem de números e índices eleitoreiros. Temos condições [em todos os sentidos] de desenvolver cidades esportivas, que passem a gerar atletas [deficientes ou não] ainda mais qualificados.

 

Na arte do fumacê, vemos a crise americana fazer fumaça para os problemas internos [a fumaça interna principal são os grampos] que por sua fez, fazem fumaça para as eleições[e como postado lá no começo do ano, estamos melhor informados sobre as eleições norte-americanas do que sobre as nossas]. Claro, a imprensa não pode cobrir como deveria neste período, mas tem aproveitando-se dos outros assuntos para deixar bem em segundo plano o que tem acontecido. Imprensa me lembrou TV, que me lembrou uma curiosidade que eu acreditava que tinha sozinho, mas não: quanta igreja na TV né? Concessões públicas que tem uma regulamentação clara, sendo utilizadas desta maneira... Farra assim, de bate pronto? Isso porque a digitalização nem está consolidada, imagino [embora nem quisesse fazê-lo] como será quando cada espectro atual puder ser dividido em 4...

 

E tá chegando a ladainha de sempre: brasileiro reclamando de crise, que as coisas estão difíceis, blábláblá... mas o espetáculo do crescimento [das dividas] está ai, lindão: nem é outubro ainda, e as contratações para o final do ano já começaram. Vendemos carro como nunca [e olha que o preço da gasosa ta um absurdo, e no estepe vem o governo aumentar n tarifas e as multas], só pra exemplificar [que dos mercados é o q tenho acompanhado mais de perto, rs]. Por aqui as decorações já estão sendo ensaiadas, meio misturadas com a do dia das crianças.

 

Faltou comentar também sobre a aplicação da lei seca [demorou mas aconteceu], e sobre o decorrente resultado na publicidade: meus coleguinhas profissionais chiaram. Alguns viram com o bordão “censura!! Ditadura!!” [geralmente que não faz muito pela sua profissão nem pelos seus clientes], outros procuraram soluções dentro do que a lei sempre permitiu, sem deixar de vender uma gotinha. Amém a criatividade. Mas fica o alerta, que foi debatido no 4º congresso de publicidade e que é validissimo: não podemos deixar que o governo regulamente algo que já demonstramos ter autonomia para resolver: a própria ética comercial e nossos princípios de trabalho.

 

No infinito particular: Seus pais dizem: descansa, filho. Sua namorada diz: descaaansa, meu. Você diz: assim q der, nem to tão cansado assim... e daí você dorme quase 13h, e dormiria mais caso não fosse acordado. [Mas não, eu neeem to tão cansado assim. Heueueue...] Culpa da 3ª etapa do TCC, que logo menos terá sua nota divulgada. A 4ª etapa já está rolando, daí entrega tudo, banca, cabou-se. Passa rápido, não dá tempo mais de ver o tempo passar, e eu gosto. No mais, felicidade que nem cá cabe nem se mede: de ter “chego lá”, de estar construindo minhas coisas e a minha vida. Sorrisos por vários motivos, e de uma só dona. Dias corridos, porém felizes. O resto é o resto =).

 

escreveu (  )

 ))) “Lost in Space”, Lighthouse Family.



Foi dito por « tony » às 22:07
[ ]



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 

todos os posts




 

sobre

Era julho de 2004, alguém desocupado o suficiente para querer ter o que fazer, e preparando-se para os vestibas [logo, com vontade (in)voluntária de escrever], que vagando na net e cansado de msnzar e só, via-se escrevendo um texto aqui, outro acolá, já tinha meio caderno recheado com aquelas lindas, melosissimas [e depois de algum tempo, engraçadissimas] cartas e poemas amorosos, e assim ia, até que a internet banda larga chegou ao escritório/casa. Começou um capitulo de uma infindável história.

Estava enfim ocupado, e de bônus nasceu a oportunidade de fazer ótimas amizades e de aprimorar os conhecimentos na linguagem html, responsável pelo design de sites. Há alguns anos atrás era bom saber, hoje é imprescindivel na minha profissão o conhecimento das ferramentas de produção pra web. Isso tudo somado a facilidade pra escrever, que foi ampliada.

Visualmente ele evoluiu (como era de se esperar) até porque nesses 5 anos também houve um salto qualitativo na capacidade executiva do dono do blog, que sem preguiça consegiu faze-lo chegar até aqui.

O conteúdo nunca foi muito especifico. Postou-se sempre o que dava na telha, desde relatos detalhadíssimos de dias únicos, a junções e comentários a cerca de textos de outros. Especiais de niver do blog, retrospectivas, lá se vão alguns [muitos!] momentos da vida e das coisas deste que vos escreve. A periodicidade de outrora foi diminuindo em vista da carga de ocupações, trocando se o diário de poucas palavras por muito [de forma sucinta] em um ou outro dia.

E em 2010, a mudança para um endereço próprio: http://blog.tzaum.com.